Piranhas Proposta de Tombamento
A Proposta Descrição dos Bens Diretrizes de Tombamento
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Conjunto dos bens patrimoniais imateriais

As singularidades apresentadas pelos valores paisagístico, urbanístico e arquitetônico ligam-se às expressões das tradições culturais forjadas pelas pessoas que ocuparam e vivenciam o lugar, criando histórias e vínculos afetivos tão fortes e valorosos quanto esses materiais.

Toponímia

A história ou lenda que vem passando de geração a geração conta que saiu um caboclo a pescar num riacho, com seu cutelo de companhia. Sua empreitada rendeu-lhe uma grande piranha. Seguindo o que reza todo pescador, o caboclo tomou o cuidado de tirar as vísceras e salgar a carne da piranha antes de levá-la à sua moradia. Porém, ao chegar, deu-se conta de que seu cutelo que tinha sido esquecido às margens do riacho, tendo então ordenado a seu filho: “Vá ao porto da piranha e traga o meu cutelo”. 

Famílias

Na segunda parte do século XVIII, duas famílias teriam sido as principais responsáveis pela ocupação do local: Feitora e Alves. Quando da passagem do povoado de Tapera para Piranhas de Baixo, exerceram influência as famílias dos senhores António e Manoel Ferreira. O coronel Luiz Dantas Casado de Melo, chefe de uma outra família, manteve domínio na região e sua importância está registrada na denominação do município Olho d’Àgua do Casado. No final do século XIX, imigrante de Pernambuco, o negociante José Rodrigues de Lima estabeleceu-se em Piranhas e veio a ser posteriormente intendente da cidade, dando origem a uma das famílias tradicionais da atual Piranhas. O José Rodrigues de Lima, ao ser eleito para intendente, confrontou-se com os descendentes do coronel Manoel Profiro de Brito, que eram os detentores do poderio econômico e político na região. Essas famílias constituem parte da história da cidade, mantêm-se como opositores políticos e alternaram-se na ocupação do cargo de Prefeito da cidade de Piranhas.

Folclore

As expressões folclóricas que reforçam a riqueza cultural de Piranhas e da vila de Entremontes são o Pastoril, a Quadrilha, o Coco, o Reisado de Piau, (Foto 1)a banda de Pífanos ou Zabumba, a banda de música do mestre Elízio José de Souza (Foto 2), as serenatas de rua e os famosos blocos, eternos rivais: os Trovadores e as Borboletas.

Festas

A festa de Nossa Senhora da Saúde, padroeira da cidade de Piranhas, entre 29 de janeiro e 06 de fevereiro, é celebrada há mais de cem anos, consistindo não só numa expressão de devoção religiosa como também de afirmação da identidade local. Essa afirmação configura-se na dedicação de cada uma das nove noites da novena a uma família ou entidade religiosa da cidade. Entretanto, cabe destacar, dentre os eventos próprios à festa, a Missa do Vaqueiro, por representar as origens da ocupação de toda a região do sertão do Vale do rio São Francisco.

Em Entremontes, anualmente, entre os meses de janeiro e fevereiro, e durante três dias, acontece a festa de Bom Jesus dos Navegantes, organizada pela entidade religiosa Apostolado da Oração, cuja maior peculiaridade é a procissão fluvial, na qual embarcações de vários tipos e tamanhos acompanham a imagem.

Feira, artesanato e gastronomia

Porto, ferrovia, abastecimento remetem aos sentidos de troca, acolhida e repouso tão próprios ao território de Piranhas. Repouso e parada de muitos viajantes, seja por terra, seja por rio por meio dos vapores Comendador Peixoto, Sinimbu e Penedinho, que semanalmente realizavam viagem do porto de Penedo ao de Piranhas, chegando às quartas-feiras, dia da feira livre da então povoação. A associação da chegada dos vapores com a realização da feira constituiu a identidade local voltada para o mercado e a troca, daí a importância, na atualidade da gastronomia, de pescados e crustáceos (surubim, dourado e pitu) para os que estão de passagem, e do artesanato de madeira e dos bordados das mulheres de Entremontes.

O cangaço

O cangaço faz parte das histórias do território de Piranhas. Um registro do cangaço é encontrado nos relatos de Rosiane Rodrigues particularmente da invasão comandada por Gato, em 1936, tendo sido a cidade defendida por seus moradores, o resultado foi a morte de onze pessoas, inclusive do próprio Gato. Os velhos também contam a passagem de cangaceiros como Corisco e Gato, como ainda, as represálias feitas pelas tropas policiais aos moradores de Entremontes, quando da caça e do cerco ao grupo de Lampião. A morte de Lampião e seu bando em Angicos, próximo a Piranhas, é outro momento significativo dentre as histórias do cangaço na região, dado que as cabeças foram expostas na calçada da Prefeitura de Piranhas em foto se tornou histórica.

Assim, essas são histórias que dão continuidade à lenda, forjando outras tradições para o lugar, mostrando que o esquecimento do cutelo, as festas, o vapor, a feira, os frutos do mar, o artesanato e o bordado das rendeiras, associados à beleza da paisagem natural e construída, formam a identidade e a memória permanente do território de Piranhas.

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1 O Reisado de Piau
 
2 A Banda do Mestre Elízio