Centro de Estudos Avançados da Conservação Integrada

Acompanhamento de Obras

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  RESUMO DO PROJETO DA BASÍLICA DA PENHA

 

 O CECI tem contrato com a Província de Nossa Senhora da Penha do Nordeste do Brasil - PRONEB, para realização dos serviços de conservação e restauro da Basílica da Penha. Trata-se da implementação do Plano Diretor de Conservação Integrada, elaborado no ano de 2006, que consistiu na estruturação de um conjunto orientações e ações técnicas direcionadas às intervenções físicas do monumento em níveis de manutenção, conservação e restauro.

O Projeto tem orçamento aprovado pelo Ministério da Cultura – MinC, sendo que na primeira etapa os trabalhos estão direcionados à recuperação dos telhados, conforme as linhas de ações previstas no mencionado plano diretor. A primeira etapa conta com aportes financeiros do Governo do Estado de Pernambuco, através da Fundação do Patrimônio Histórico e Artístico de Pernambuco – FUNDARPE.

A Basílica de Nossa Senhora da Penha, da Ordem dos Frades Menores Capuchinhos, constitui um imponente edifício na paisagem urbana no Bairro de São José – fortemente marcada pela presença das torres sineiras altas e delgadas e da enorme cúpula do transcepto, símbolos de uma forte religiosidade – que norteou a configuração urbana do início da formação da cidade do Recife
 

Fig. 1 - Nave principal na linha do transcepto. Fonte: CECI, 2006.

 

Fig. 2 - Capela da nave lateral da Epístola. Fonte: CECI/Larissa Menezes, 2005

 

A volumetria da Basílica destaca-se no contexto pela sua monumentalidade e singularidade que, além da pertinência como elemento arquitetônico, o partido de planta em cruz, ao gosto românico, coroa a devoção religiosa cristã tão forte na cidade do Recife. A origem da localização da Igreja da Penha remonta a um pequeno oratório situado em “Fora de Porta de Santo Antônio”, correspondendo, com uma pequena diferença, ao terreno onde hoje está erguida a construção contemporânea. O orago foi instituído em 1655 pelos franciscanos capuchinhos franceses e ampliado em 16 de abril do mesmo ano, em um terreno doado por Belchior Alves Camello e sua mulher Joanna Bezerra. A doação constava de 40 braças de terra, de norte a sul, e de 24 de largo para a construção de novas instalações. A edificação primitiva fincava suas bases estruturais a 270 palmos da atual (5,94 metros). A localização antiga projetava a igreja à frente, onde hoje está situada a Praça Dom Vital, marcando a diferença dos processos construtivos da edificação (MILFONT, 2006).


Fig. 3 - Conjunto Franciscano da Penha, final do século XVIII. Fonte: Goulart, 2001.

 

O pequeno Oratório da Penha, localizado em “Fora de Portas de Santo Antônio”, foi consagrado pelos freis franceses Cyrillo, Fabiano e Antônio em 1655. No mesmo ano, eles receberam a doação de um amplo terreno do casal Camello, fundando a igreja e o convento sob a invocação do Espírito Santo. Concluída a igreja, o quadro da Virgem da Penha foi introduzido, rememorando a devoção fervorosa dos habitantes no antigo oratório. Com o passar do tempo, a igreja e o convento passaram a ser conhecidos pelo nome da Virgem, esquecendo-se a invocação do Espírito Santo (Idem).
 

Fig. 4 - Basílica da Penha, período não identificado, provavelmente, após 1910 pelos veículos motores. Fonte: 5º SR/IPHAN.

 

O estado de conservação da Basílica foi registrado no Mapa de Danos, que trata e detalha as degradações nas estruturas e nos elementos construtivos, apresentando as principais patologias (como) e patogenias (por que). Como todas as coisas têm o seu efeito, todo efeito tem sua causa e, sendo as patologias efeitos de uma causa, o levantamento e a análise das deteriorações procuraram identificar as principais causas e origens para se deter os estragos e potenciais sinistros.

Foram detectadas três grandes situações emergenciais que, se não forem o mais rapidamente solucionadas, podem acarretar perdas irreparáveis. São as seguintes, por ordem de prioridade de urgência, urgentíssima:

1. Falência do sistema de alimentação e distribuição de energia elétrica;

2. Decadência das madeiras estruturais dos telhados da capela mor e nave; e

3. Desagregação do estuque armado nos ornatos e forros.
 

Fig. 5 e 6 - Situação atual do sistema de distribuição da rede elétrica no intradorso dos telhados. Telhado da nave principal. Fonte: CECI, 2007.

As demais situações são também preocupantes e merecem atenção especial, mas não colocam a edificação sob risco eminente de sinistros com graves conseqüências ao patrimônio e aos fiéis usuários.