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O Conjunto Franciscano de
Olinda possui seis elementos de valores de significância excepcionais,
conforme o Plano Diretor do Conjunto Franciscano de Olinda, elaborado pelo
CECI em 2006, sob os auspícios do World Monuments Fund – WMF. Dentre eles se
destacam: [a] o valor histórico de o convento ser o primeiro implantado em
terras brasileiras em 1585, nos primórdios da colonização, tornando-o matriz
da expansão da ordem franciscana no território nacional; [b] o valor
artístico do conjunto, incluindo as pinturas dos forros dos ambientes do
Convento e da Ordem Terceira de São Francisco por representarem as diversas
fases pelas quais o barroco se manifestou no Nordeste do Brasil.
O
Plano Diretor de
Conservação do Conjunto Franciscano de Olinda estabeleceu como uma das
diretrizes emergenciais (Vol. I, pág. 76) a substituição do sistema de
alimentação e distribuição da rede elétrica da Ordem Terceira , bem como a
eliminação de gambiarras em diversos ambientes do conjunto (já concluído).
Como diretriz de conservação propôs a restauração dos elementos artísticos
integrados da sacristia e das capelas de São Roque e dos Noviços também da
Ordem Terceira.
Os serviços contam com o apoio financeiro da The Robert W Wilson
Challenge for Conserving Our Heritage, através do World Monument Fund, com a
contrapartida da Prefeitura Municipal de Olinda. Os fundos financeiros serão
empregados nos serviços para a recuperação dos forros da Sacristia e da
Capela dos Noviços, e do retábulo da capela mor da Capela de São Roque da
Venerável Ordem Terceira de São Francisco, que faz parte do Conjunto
Franciscano de Olinda.
O estado de conservação com exceção do forro artesoado da nave da Capela de
São Roque, encontram-se deteriorados pela ação do tempo, de intervenções
inadequadas, ataques de insetos xilófagos e umidades. Há também graves
ameaças de sinistros por incêndio em decorrência da fixação e passagem de
fios ressecos e mal ligados das instalações elétricas.
Elementos artísticos da Sacristia
Dentre os elementos artísticos integrados mais ameaçados da Ordem Terceira
destacam-se as pinturas do forro da Sacristia. Trata-se de pintura do século
XVIII, provavelmente a têmpera, com motivos arquitetônicos em perspectiva e
elementos decorativos nas bordas, fundo branco e medalhão central
representando São Francisco com as cinco chagas.

Fig. 1 –
Medalhão central do forro da Sacristia. Aspecto da desagregação e
descolamentos da pintura.
Fonte: CECI,2007

Fig. 2 – Ação das infiltrações pelas
goteiras do telhado da Sacristia. Embora toda a cobertura do Conjunto
Franciscano de Olinda tenha sido restaurada em 2006 pelos frades, os efeitos
pelas impregnações continuam degradando as madeiras e os pigmentos das
pinturas. Fonte: CECI,2007
Elementos artísticos da Capela dos Noviços
Os elementos integrados e aplicados na Capela dos Noviços têm as mesmas
disposições artísticas e técnicas dos aplicados na Sacristia. Provavelmente,
foram executados no mesmo período e talvez pelos mesmos artesões e artistas.
No forro, a decoração seguiu “o caminho natural do Barroco, ao penetrar-se
na segunda metade do século XVIII... as pinturas em perspectiva ilusionista,
cujo teor sempre tenta inserir as imagens centrais da composição num
ambiente arquitetônico. Cria-se um efeito ilusório com o prolongamento da
cimalha por meio da pintura. Colunas e parapeitos circundam a cena central,
reproduzindo ilusoriamente... balcões laterais que precedem a profundos
espaços falsos, enfeitados por guirlandas e decoração arquitetônica
barroca...” (Plano Diretor, Vol. I, p. 34).
A pintura
do forro está com aspecto áspero e fosco, apresentando descolamentos e perda
em partes generalizadas, principalmente nas junções das tábuas. No suporte
presença de pregos oxidados ocasionando perdas na pintura; enxertos de
madeira inadequados, retocados com a cor de referência local, destoam o
contexto; há substituição da madeira original do friso e de parte da cimalha
em vários locais, prejudicando a integridade do forro; há frestas nas
junções das tábuas.

Fig. 3 –
Medalhão central do forro da Capela dos Noviços. Fonte: CECI,2007
A restauração dos elementos artísticos integrados da Sacristia e da
Capela dos Noviços consistem em salvaguardar o conjunto bens artísticos
integrados, visando garantir a integridade e estabilidade dos materiais,
técnicas e sistemas construtivos, para que se possam transmitir a
autenticidade dos valores culturais no contexto histórico-artístico do
espaço arquitetônico.

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