Técnicas construtivas tradicionais

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Seriam avançadas as principais técnicas construtivas trazidas pelos portugueses no péríodo colonial?
Roberto Antônio Dantas de Araújo

Esta questão, aparentemente simples, só pode ser respondida a partir dos seguintes pontos(1):

1. Durante grande parte da história da humanidade não houve, ou houve de forma muito lenta, transformações qualitativas no que se refere a algumas técnicas e materiais construtivos. Muitas das técnicas fundamentais (taipa de pilão e a cantaria, por exemplo), sobreviveram intocáveis até o advento da Era Industrial, incluindo as ferramentas e métodos de trabalho. Por outro lado, ao contrário de vários outros ramos do conhecimento, as técnicas e os materiais construtivos experimentaram retrocessos em longos períodos históricos. Este foi o caso de várias técnicas de origem romana sucessivamente “redescobertas” na medida em que as cidades européias emergiam como grandes centros comerciais no final da Idade Média (por exemplo, a alvenaria de tijolos) ou o “concreto” efetivamente redescoberto em pleno século XIX, a partir das pesquisas da engenharia e da química moderna com a introdução do cimento tipo Portland.

2. As técnicas construtivas trazidas para o Brasil possuíam basicamente duas vertentes: uma popular e outra erudita. A erudita estava representada pelos engenheiros militares. Esses foram autores de tratados de fortificações, onde a arte da construção estava associada à tratadística Renascentista e à utilização de instrumentos de medição e a um conhecimento, ainda que rudimentar, da física e da química. Também desenvolveram as formas de representação projetual arquitetônica. Neste caso, os conhecimentos eram transmitidos através de “Aulas” e “Tratados”. As “aulas”, criadas segundo o modelo da Aula de Lisboa (1635), foram disseminadas pelos principais centros urbanos do Brasil, tais como: Salvador (1696), Rio de janeiro (1698), São Luís do Maranhão (1699), Recife (1701) e Belém (1758). Como observa BUENO, "embora por vezes funcionando de forma intermitente, essas aulas foram um dos principais focos de irradiação da cultura arquitetônica e urbanística erudita no Brasil-Colônia (2).”

 

Folha de rosto do segundo tratado publicado em 1729 pelo engenheiro militar. português Manoel Azevedo Fortes, Manoel de Azevedo. O Engenheiro Português. Manoel Fernandes da Costa, impressor do Santo fício, Lisboa, 1729.

Exemplo do eruditismo no método de construção de muros e paredes, exposto no tratado de Vitruvio e como na Arquitetura luso-brasileira no Nordeste do Brasil
DELLE MANIERE DE MVRI Fonte: PALÁDIO, Andréa. I Quattro Libri dell' Arquitettura. Riproduzione in Fac-Simile, Ulrico Hoepi, Milano, 1951, p. 12

A vertente popular estava representada pelos Mestres de Ofício. Eles traziam consigo um conhecimento acumulado durante séculos (de origem Românica e Medieval) e transmitidos de forma oral e prática pelos mestres para os seus aprendizes. Além disso, ou para isso, contavam com as chamadas “Organizações de Ofício”, somente proibidas no Brasil pela Constituição de 1822.

3. A resultante destas duas vertentes é um rol de sistemas construtivos econômicos e seguros, capazes de serem aplicados nas condições de uma terra recém descoberta e inculta: “Areia e Fachina”, “Taipa de Pilão”, “Taipa Travada”, “Pau-a-Pique”, “Alvenaria de Pedra” (em inúmeras variações), “Alvenaria de Tijolo” e os chamados Sistemas Mistos, onde podem ser encontrados traços eruditos, porque divulgados pelos tratados como o de Palladio, por exemplo.

Pode-se, finalmente, afirmar que as técnicas utilizadas pelos portugueses no Brasil Colonial: a) não eram “primitivas”; e b) não se caracterizaram pelo sincretismo com outras técnicas sabidamente simples de origem indígena ou africana; e c) finalmente, não passaram por um “processo sucessório” rígido na aplicação, por exemplo: da taipa de pilão para a alvenaria de pedra ou alvenaria de tijolos.

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1.  Ver ARAÚJO, Roberto Antônio Dantas de. O Ofício da Construção na Cidade Colonial - Organização, Materiais e Técnicas (O caso pernambucano). Tese de doutorado, FAU/USP.São Paulo, 2002

2. BUENO, Beatriz. Desenho e Desígnio: o Brasil dos Engenheiros Militares (1500-1822). FAU/USP, São Paulo, 2001. Cit. Pág. 295.

 

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