Boas Práticas da Conservação: mão-de-amigo

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maoDeamigoO CECI lança mais um volume da série Boas Práticas da Gestão do Restauro com o tema sambladuras para próteses em componentes construtivos de madeira: "mão-de-amigo" e "grampo".

Samblagem ou sambladura, nos ofícios da carpintaria e da marcenaria, é a técnica de recortes e entalhes para junção ou encaixe de duas peças. Pode ser simples como a meia-madeira ou com complexa como as uniões japonesas. É comum se fazer confusão na aplicação do termo prótese, confundindo-o com enxerto. A distinção entre ambos os termos é que o primeiro é parte de um processo de consolidação de um componente construtivo e visa restabelecer a sua funcionalidade; diferentemente, o enxerto é parte de um processo de preenchimento de lacunas e visa apenas resgatar sua aparência estética.

Para cada tipo de esforço há uma sambladura apropriada para a aplicação de uma prótese. Nos telhados, os casos mais comuns de deterioração ocorrem nos trechos em contato com as alvenarias, nas articulações das tesouras, nas linhas da cumeeira. O tipo de samblagem é importante para garantir a estabilidade da peça a partir das linhas de forças existentes. Qualquer encaixe que se conflite ou altere as linhas de tensões ou que seja executado com falhas provocará o colapso da peça que se quer preservar. Esse fato corriqueiro, seja pela perda de expertise dos carpinas-marceneiros ou de engenheiros calculistas especialistas em estruturas históricas, induziu à perda de credibilidade das próteses de madeira.

Há experiências exitosas do uso de próteses aplicados em pernas de tesouras, linhas de cumeeiras, terças e frechais, barrotes ou mourões de assoalhos sem que se tenham aplicadas ferragens e adesivos – apenas a pressão da prótese de madeira é suficiente para a garantia da resistência e da estabilidade. Evidentemente que, conforme níveis de degradação da peça, a extensão dos danos e o aumento de cargas são necessários as associações com pinos, chapas, resinas e outros elementos para o reforço da prótese.

Jorge Eduardo Lucena Tinoco, arquiteto

Baixe aqui a Edição n. 03/2013

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Fig. 1 - Cortes das samblagens da mão-de-amigo para uma das tesouras do telhado da Basílica da Penha (Recife-PE). Mourão de Massaranduba com 8" x 7". Mestre-carpinteiro Paulo Floriano de Arruda. CECI, 2008. Fig. 2 - Cravaçao da chaveta na mão-de-amigo da tesoura T1 do telhado da Basílica da Penha (Recife-PE). Mestre-carpinteiro Moisés Floriano de Arruda. CECI, 2008.
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Fig. 3 - Prótese com samblagem mão-de-amigo na tesoura T1 do telhado da Basílica da Penha (Recife-PE). Não houve aplicação de cola, pinos ou outro elemento além da chaveta. Curso Gestão de Restauro, Hélio Costa Lima, 2010. Fig. 4 - As samblagens em mourões de grande seção exigem serrotes com lâminas além de mais de 10" e de aços especiais. São necessárias várias afiações durante os cortes, principalmente se a madeira ainda estiver verde. Lembrar na composição de preços de apropriar essa atividade. Mestre carpinteiro José Floriano de Arruda Neto, instruindo auxiliares, 2008.
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Fig. 5 - Serrotes, enxó, malhos e formões para execução de samlabens mão-de-amigo e grampo. CECI/Curso Gestão de Restauro.
Fig. 6 - Baú de ferramentas do carpina-marceneiro João Aratica que trabalhou na fundação Centro de Preservação dos Sítios Históricos de Olinda (1981). Então com mais de 80 anos esse carpina confirmava o bordão que o Mestre José Ferrão Castelo Branco: "A gente conhece um profissional pelas ferramentas que tem e conserva". Fonte: JELT, 1981
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Fig. 7 - Cabeça de um dos mourões (traves) do assoalho do Palácio dos Governadores de Olinda, deteriorada pela ação dos cupins em razão da umidade. Fonte: Claúdio Barroso, 1982 - Arquivo Municipal de Olinda
Fig. 8 - Madeiramento da estrutura do assoalho do Palácio dos Governadores de Olinda, onde se utilizou largamente as próteses mão-de-amigo na consolidação dos mourões, sem utilização de colas e pinos metálicos... Nada além da chaveta. Fonte: Claúdio Barroso, 1982 - Arquivo Municipal de Olinda

 

 

 

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