Igreja da Misericórdia de Goyanna

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O CECI iniciou as obras de restauração da Igreja da Misericórdia da cidade de Goiana em Pernambuco. O contrato foi firmado com a Santa Casa de Misericórdia de Goiana noúltimo dia 4/mai/2009, com vigência de seis meses para a primeira etapa dos serviços.

 

O Diretor-Geral do CECI, Prof. Dr. Fernando Diniz, e o Provedor da Santa Casa de Misericórdia da Goiana, Dr. João Bôsco Rabello Lins, assinam o contrato de empreitada, assistidos pelo arquiteto Jorge Eduardo Lucena Tinoco, a engenheira Narriman Arruda e Silva e a coordenadora administrativa do CECI, Raquel Bertuzzi.

As obras estão sendo realizadas com recursos do Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico - BNDES, dentro do programa governamental da Lei Rouanet do Ministério da Cultura-MinC, cujos valores estão orçados em R$ 1 milhão neste primeiro momento (Etapa I).

A Igreja da Santa Casa de Misericórida de Goiana, cujo orago é dedicado à Nossa Senhora dos Milagres, é um monumento da primeira metade do século XVIII [1723], tombado em 1938 pelo Instituto Nacional do Patrimônio Histórico de Artístico Nacional - IPHAN [processo n° 147, inscrição n° 228, livro Belas Artes fls. n° 39, datado de 25/outubro/1938].

A arquitetura da igreja tem uma composição simples do final do barroco. Há predominância de cheios sobre os vazios das envazaduras de porta e janelas. A fachada tem a porta central ao nível do rés-do-chão e três janelas com vergas retas ao nível do coro. A empena é reta e o frontão é vazado por óculo, no tímpano, cujos recortes em curvas e volutas são a expressão da influência barroca. A torre única é peralteada, sendo vazada por óculo, janela e sineira, coroadas por bulbo chanfrado com nervuras e pináculos [1].

A planta também tem características do barroco: nave única, flanqueada por corredores laterais em arcos [2] ao nível do rés-do-chão e janelas ao nível do coro; capela mor ladeada por sacristia e consistório. Tudo tem aparência simples, como os púlpitos sem muitos adornos, o mobiliário, as cantarias com modenaturas austeras. Na capela mor, o retábulo foi totalmente destituído da ornamentação pictórica, encontrando as madeiras da talha grotescamente aparente, bem como o forro de madeira desse ambiente em forma de cúpula muito bem trabalhado, mas completamente desnudado.

O arco cruzeiro é ladeado por retábulos com nichos sobre altares laterais, com imagens e alfaias cujas composição, provavelmente, são posteriores a feitura da talha da capela mor.

O lavatório da sacristia é pintado com figuras profanas, muito original [3].

 

Fachada da Igreja da Misericórdia de Goiana. Foto: Marina Russel, 2006

Vista da fachada posterior. Foto: Marina Russel, 2006

Aspecto do interior da nave. Foto: Marina Russel, 2006

Aspecto dos rebocos da ilharga da nave, cuja ondulação do estucamento são indicadores da autenticidade dos revestimentos.

Trecho do retábulo da capela mor.

Aspecto dos telhados tradicionais da nave, capela mor, galeria e sacristia

O madeiramento do telhado ainda é o tradicional, autêntico, em alguns ambientes. Foto: Marina Russel, 2006.

O telhado da nave foi alterado em época ainda não confirmada [1993?], para o sistema de caibro armado ou tesouritas. Foto: Marina Russel, 2006.

Piso em tijoleiras de barro cozido de fabricação artesanal, cujo técnica de assentamento denota a autenticidade do revestimento do piso da sacristia e consistório ao nível do rés-do-chão.

Aspecto do forro e retábulo da capela mor completamente desprovidos das ornamentações pictóricas.

Esta obra será mais um desafio para o CECI no sentido de aplicação e experimentação dos conceitos teóricos mais avançados da conservação. Semelhante às obras do Baularte da Porta da Terra em Recife, da Ordem Terceira de São Francisco de Olinda, da Basílica de Nossa Senhora da Penha, os especialistas e técnicos que compõem o CECI colocarão a teória na prática diária dos serviços com todas as limitações humanas de mãode-obra e financeiras impostas pela realidade do orçamento aprovado pela agência BNDES [4].

O CECI tem o compromisso de garantir os níveis de autenticidade e integridade da edificação, bem como da manutenção das características de significância da igreja. Neste sentido, esse monumento tem estreita relação de vida religiosa com a cidade, pois as suas atividades litúrgicas estão presentes e fortemente ligadas às tradicões católicas locais, como é o caso, p.e. da Procissão do Encerro, realizada no dia 2 de abril, pelas ruas de Goiana. Desde 1654, os moradores se reúnem em frente à Igreja do Carmo e seguem em procissão até a Igreja da Misericórdia para comemorar a expulsão dos holandeses das terras pernambucanas [5].

Fotos: Priscilla Buhr

[1] In Guia dos Bens Tombados Brasil, de Maria Elisa Carrazzoni. Editora Expressão e Cultura, Rio de Janeiro, 2ª edição - 1987.

[2] Atualmente, apenas a galeria lateral esquerda guarda os arcos.

[3] Guia ... Idem.

[4] O projeto e orçamento são da Santa Casa de Misericórdia de Goyana, elaborados pela arquiteta Marina Russel [2006].

[5] Priscilla Burh, in http://www.nacaocultural.pe.gov.br/procissao-do-encerro