Alerta de riscos nos monumentos históricos

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Os alunos da 6ª edição do curso de Gestão e Prática de Obras de Conservação e Restauro do Patrimônio Cultural – Gestão de Restauro, realizado pelo Centro de Estudos Avançados da Conservação Integrada – CECI, constataram que a grande maioria dos monumentos restaurados nas principais cidades históricas do NE do Brasil (J. Pessoa, Recife, Olinda – PE; Mal. Deodoro e Penedo – AL; São Cristóvão e Laranjeiras – SE; Cachoeira e Salvador – BA) encontram-se sob grande risco de perda rápida e total em caso de sinistro por incêndio.

Isto porque, invariavelmente, nas restaurações dos telhados estão sendo aplicados materiais combustíveis que propagam o fogo rapidamente.

A simbiose entre os patrimônios construído e natural em Cachoeira - BA
sob risco pela inadequação de técnicas de restauro.

Os casos mais alarmantes são o do Conjunto Carmelita de Cachoeira (Ordens Primeira e Terceira de Nossa Senhora do Carmo) e os belíssimos casarões n° 1 e 2, da Rua do Tesouro, no Centro de Salvador, onde será instalado o Museu Nacional da Cultura Afro-Brasileira. Neste último, inclusive, o professor Jorge Tinoco fez um teste simples diante de alunos e do fiscal das obras pelo Monumenta/BID/IPHAN-BA (eng° Américo Simas Neto) com a chama de um palito de fósforos. As chapas de fibra de vidro, empregadas como subcoberturas para evitar goteiras nos telhados, demonstraram propagar o fogo com extrema facilidade. Na ocasião, Simas contatou o Sr. Paulo Sérgio Resende, fabricante resposável pelas chapas, e, pessoalmente, este informou que a alumina hidratada é apenas um retardador, que não impede de o fogo se propagar. Para tornar ainda mais inflamável os telhados do monumento a prevenção contra cupins está empregando no madeiramento produto biocida diluído com óleo diesel e aguarrás. Verifica-se que, em caso de incêndio, nem a mais bem prepara e eficiente equipe de combate contra incêndio no mundo conseguirá agir com eficiência para evitar a perda total da edificação.

Imóveis da Rua do Tesouro, 1 e 2, em restauração com recursos do Banco Interamericano de Desenvolvimento - BID, dentro do Programa Monumenta/MinC-BA

Teste feito num pedaço de placa de fibra-de-vidro na presença da fiscalização. (Imagem de André Luis Nery Figueiredo)

Isto é inaceitável, principalmente porque é fato que as cidades históricas visitadas não possuem desenhos urbanos adequados ao rápido acesso da Companhia de Bombeiros. O caso mais recente foi o de um imóvel no Pelourinho em Salvador, quando as chamas num casarão propagaram-se rapidamente, não sendo possível ao Corpo de Bombeiros chegar a tempo, devido impedimentos pelo mobiliário urbano implantado naquela área histórica.

Em Pernambuco a situação não é diferente. A igreja do Mosteiro de São e o Conjunto Franciscano ambos em Olinda têm materiais inadequados aplicados como subcobertura nos telhados. Tratam-se das mantas de fibras sintéticas que submetidas sob fogo propagam chamas, tornando muito mais penoso (quase impossível) o combate com êxito contra o incêndio.

Embora esse assunto já venha sendo tratado pelo curso de Gestão de Restauro desde sua 1ª edição em 2003; embora haja uma pesquisa realizada pelo CECI sobre as técnicas tradicionais dos telhados, que foi apresentada num congresso internacional em Olinda no 1º semestre de 2006, o assunto não vem sendo tratado com a devida atenção pelas autoridades de preservação em níveis federal, estadual e municipal. É lamentável que só após venha ocorrer um grande sinistro num monumento histórico nacional é que as medidas para a resolução desse problema serão tomadas. Nos casos dos grandes monastérios a perda não será apenas da edificação, mas, também, do riquíssimo acervo histórico-artístico existentes nesses monumentos.

 

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