Lançamento "Paraíso & Martírios"

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No dia 14 de agosto de 2009, Rosane Piccolo Loretto, membro do Conselho Administrativo e Científico do CECI, lançou o livro “Paraíso & Martírios: Histórias de Destruição de Artefatos Urbanos e Arquitetônicos no Recife” no auditório Vicente Machado, da Editora Universitária da UFPE.

O livro foi originado a partir da dissertação de mestrado desenvolvida junto ao Programa de Pós-Graduação em Desenvolvimento Urbano da UFPE, tendo sido orientada pela professora, e membro do CECI, Virgínia Pontual, na linha de pesquisa de Conservação Integrada. Esta publicação faz parte da “Coleção Teses e Dissertações”, uma ação conjunta realizada pela Pró-Reitoria para Assuntos de Pesquisa e Pós-Graduação (PROPESQ), Editora Universitária (EDUFPE) e os diversos programas de pós-graduação da universidade.

O livro traz reflexões sobre uma questão central: o que leva os homens a destruir seus próprios artefatos urbanos e arquitetônicos? Artefatos que em um dado momento foram construídos e estimados, mas que com o passar do tempo foram descartados e destruídos... Dessa forma, a publicação se propõe a discutir esse ponto, tendo como objeto de estudo a destruição da Igreja do Paraíso, ocorrida em 1944, e a da Igreja dos Martírios, efetivada em 1973. Estas estavam localizadas na Cidade do Recife, bairros de Santo Antônio e São José, respectivamente. A investigação é guiada por dois eixos analíticos, representados pelas questões no âmbito institucional e urbanístico de cada uma das destruições. Assim, narrativa se encontra estruturada de modo a contemplar a trajetória histórica das duas igrejas, desde o momento das edificações, até completas demolições, pontuando-se os principais fatos relacionados às suas “vidas e mortes”. Desse modo, estão identificadas as instituições que participaram dos processos de destruição das igrejas, buscando-se compreender as motivações que as levaram a defender a preservação ou a demolição dos templos. Estão avaliadas as posições da Prefeitura do Recife, da Comissão do Plano da Cidade, do Instituto do Patrimônio Histórico e Artístico Nacional, do Instituto Arqueológico, Histórico e Geográfico de Pernambuco, dos Conselhos de Cultura, da Irmandade do Senhor Bom Jesus dos Martírios, da Santa Casa de Misericórdia, dentre outros. Também é verificado como as práticas urbanísticas vigentes estiveram relacionadas com as demolições das igrejas, iluminando-se quais as motivações que as impulsionaram para determinada decisão. Paralelamente está apontado o modo como os urbanistas equacionaram a construção com a destruição das áreas no decorrer das reformas urbanas do centro da cidade, que promoveram uma grande transformação na sua fisionomia. Por fim, através de uma abordagem comparativa entre as histórias das igrejas do Paraíso e dos Martírios, busca-se ampliar a compreensão das motivações das suas demolições. É identificado que tais destruições apontam para dois processos distintos, mas que guardam entre si relações interativas e, que juntos, oferecem uma visão clara de uma questão comum que os atravessou, representada pelo exercício do poder da municipalidade nas questões referentes ao destino dos artefatos urbanos e arquitetônicos da cidade.

Contato com a autora: Este endereço de e-mail está protegido contra spambots. Você deve habilitar o JavaScript para visualizá-lo.