O plano de massa e o novo volume

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O conjunto franciscano de Olinda foi resultado de um contínuo processo de adaptação, transformação e adição ao longo do tempo. No entanto, observa-se que esse conjunto mantém uma forte unidade e coesão arquitetônica e demonstra uma clara adaptação ao terreno e ao entorno na qual está inserido. Isso é devido ao fato de que o conjunto possuía uma lógica de crescimento que se manteve inalterada: um lento gradual crescimento por meio de alas que saíam dos corpos já existentes e se juntavam posteriormente, como foi visto no caso do claustro e no pátio do bloco conventual. Existia uma concepção integrada entre paisagem, arquitetura, elementos decorativos, materiais e técnicas construtivas que tendeu a desaparecer ao longo do século XX, justamente quando o complexo foi considerado um bem patrimonial (Figura 5). Se existe uma lógica natural de crescimento, pode-se considerar o edifício como algo vivo, capaz de crescer e se adaptar sem comprometer sua integridade. Assim, é perfeitamente justificável que ele receba novas adições e adaptações, desde que estas respeitem a coesão e integridade do conjunto.

De acordo com a legislação vigente, não podem ser construídas novas adições a não ser que estas correspondam às áreas dos anexos existentes (lavanderia, depósito e banheiros). Desta forma, é possível a construção de um novo bloco com uma lâmina de no máximo 366 m2 , que corresponde justamente à area total das anexos acima mencionados que foram construídos desde os anos 50 do século passado e que não contribuíram para coesão do conjunto.

Fig 5 maquete da condição atual do conjunto franciscano
Fig 5 maquete da condição atual do conjunto franciscano

A posição adotada pelo Plano Diretor foi a de construir um novo bloco contendo o auditório para 150/200 pessoas, banheiros para o público visitante, uma cozinha moderna e aparelhada, lavanderia e depósito. O edificio teria dois níveis, com a lâmina com a área acima mencionada (366 m2 ), que seria implantado nas imediações do terraço

Os primeiros estudos cogitaram a possibilidade da construção deste bloco em um nível imediatamente abaixo do terraço da cisterna, aproximadamente no lugar da atual lavanderia ou no lado contíguo do terraço na face leste, esta última desenvolvida em maquete (fig 6 e 7) . O terraço, como visto, detém uma forte aspecto contemplativo e constitui-se em uma dos espaços mais aprazíveis do conjunto. A proposta seria conseguir uma transição suave e natural entre o terraço e o novo bloco.

Fig 6 Maquete com a inserção do bloco (1ª alternativa)
Fig 7 Maquete com a inserção do bloco (1ª alternativa)
Fig 6 Maquete com a inserção do bloco (1ª alternativa) Fig 7 Maquete com a inserção do bloco (1ª alternativa)

No entanto, após os estudos volumétricos com maquete, esta alternativa foi descartada devido ao impacto que o bloco causaria no conjunto, na medida em que sua altura revelou-se dissonante das linhas do conjunto. Os problemas de comunicação e circulação entre o novo bloco e o conjunto, visto que teria de comportar uma passagem coberta, revelou-se como um dos fatores mais complicados a serem resolvidos e não atingida uma solução satisfatória.

A proposta final adotada levou o bloco a ocupar área externa junto a ala leste do convento, entre a sacristia e o terraço, onde encontra-se uma plataforma com os atuais banheiros externos. O bloco semi- enterrado ocupará aproximadamente a área desta plataforma com ligeiros avanços sobre o terreno em uma das faces. Como este bloco seria semi-enterrado, o teto do bloco transformar-se-á em um terraço que ofertaria mais um espaço livre para recepções (Fig. 8 e 9). Além de prestar este apoio fundamental aos eventos, este bloco substituirá todas as construções irregulares feitas nas últimas décadas (banheiros, depósito e lavanderia). Esta solução mostrou-se a mais sensata do ponto de vista de contribuir para a manutenção da integridade arquitetônica do complexo.

Alguns conceitos básicos nortearam esta proposta e devem ser seguidos no projeto arquitetônico. Concebeu-se a toda a área externa do complexo não como um terreno natural, mas como uma obra humana, concluída ao longo de séculos, que foi capaz de criar uma topografia que entrelaça terraços, plataformas e volumes em uma unidade de inegável beleza. O novo bloco foi concebido como parte inerente dessa topografia, de acordo com suas principais linhas. Verificou-se que o complexo é formado por volumes de formato retangular que se articulam entre si não obedecendo à ângulos estritamente ortogonais, mas por meio de ligeiras inflexões devido aos condicionantes construtivos e à adaptação à topografia. O novo bloco deve obedecer essses parâmetros de implantação e seguir as linhas de força já presentes na topografia, evitando dessa forma grandes cortes no terreno.

Fig 8 Maquete do conjunto com a alternativa proposta Fig 7 Maquete com a inserção do bloco (1ª alternativa)
Fig 8 Maquete do conjunto com a alternativa proposta Fig 9 Maquete com alternativa proposta

Em termos arquitetônicos, o novo projeto deve adotar uma estratégia de discreção de forma a reduzir o impacto da intervenção, mas ao mesmo tempo não deve tentar esconder-se. O novo edifício deve ser autêntico com as meios e condiçõesda época atual e devre mostrar-se como um edifício contemporâneo. Da mesma forma, os volumes, os materiais, detalhes e elementos arquitetônicos devem corresponder à simplicidade e a sinceridade da arquitetura franciscana, ou seja, devem contribuir para a unidade e coesão dos elementos arquitetônicos e espaciais.

O novo bloco, portanto, será semi enterrado e ocupará a plataforma existente na área externa, junto a ala leste do convento, entre a sacristia e o terraço. O acesso a este novo bloco será feito pela arcada que ladeia o terraço da cisterna. Ao deixar esta arcada e a construção do convento, o visitante encontrará a plataforma que corresponde ao teto do auditório. Este espaço seria convertido em um novo terraço, desta vez coberto por grama e cercado por piso em tijoleiras. Logo a frente , um corte no terreno contém uma escada ou rampa suave que leva o transeunte para o nível –1 (foyer, auditório e banheiros). O foyer teria cerca de m2) e deve conter um grande rasgo na fachada abrindo para o jardim. O auditório teria cerca de m2 e seria equipado com as mais modernas instalações para apresentações e seminários.
a inserir plantas e corte

Ao chegar ao nível -1, o visitante, senão adentrar no foyer, pode continuar descendo para área de serviços (lavanderia, depósito e cozinha, com um total de m2) à sua esquerda ou ao jardim continuando em frente. Toda a área do pomar deve receber um tratamento paisagístico adequado. Um novo acesso para automóveis deve ser pensando, inclusive com a provisão de vagas de estacionamento de forma tal que não diminua a área verde. as áreas verdes. Este novo acesso será feito pelo portão existente e deve contemplar acesso a veículos de serviços até o bloco de serviços (nível –2).

 
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